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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Nova Olinda: mais de 400 famílias moram em casas de taipa


De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE-Censo 2010) 436 famílias moram em casas de taipa no município de Nova Olinda. A maioria dessas residências está na zona rural do município, totalizando 341 imóveis. Outras 95 casas de taipa estão na zona urbana. O órgão revelou também que em 58 destes domicílios as paredes externas das casas não são revestidas, quando não apresentam nem um tipo de emboço, reboco ou chapisco, tornando esse tipo de moradia ainda mais inseguro e precário.
 

A Casa de taipa têm paredes levantadas com barro e varas retiradas de árvores. A estrutura é escorada por estacas fincadas em suas extremidades externas e internas que funcionam como colunas de sustentação. Os telhados são feitos de palha, lonas plásticas ou com as próprias varas e telha comum.

Esse tipo de moradia é antigo e muitas perduram por gerações numa mesma família. Quanto mais antigo, torna-se mais inseguro esse tipo de construção. O período de chuvas com ventos fortes denunciam ainda mais a fragilidade das casas de taipa e muitas ameaçam desabar diante da precariedade delas.

Aos 40 anos de idade, Maria Jesus da Silva (Dos Anjos), não reside numa casa de alvenaria (tijolos). Com o marido, Welisson dos Santos, 27 anos, e três filhos menores, entre eles dois bebês, um menino de 1 ano e seis meses e uma menina de 27 dias de vida (na foto), ela integra uma das mais de 90 mil famílias cearenses que vivem nesse tipo de moradia conforme o IBGE.

A casa da dona ‘dos anjos’ fica no sítio zabelê, distante cerca de 12 km da sede do município onde falta além da moradia, energia elétrica, água potável e mesmo uma estrada para chegar até lá.

Somente por um caminho estreito entre o matagal da floresta da Serra do Araripe medindo 300 metros de extensão a partir da única estrada vicinal que dar acesso ao local até a moradia da família ‘dos anjos’ é que se chega ao terreiro de barro batido para encontrar o imóvel rústico que denuncia a miséria de quem vive ali.

São 3 cômodos caprichosamente divididos em sala, cozinha e quarto, numa tentativa da família de erguer uma casa digna, no entanto, a falta de recursos financeiros inviabilizou o empreendimento familiar construído com as próprias mãos do casal.

Em uma parede ainda foi possível levar um pouco de barro conseguido ali mesmo próximo a casa em tempos de chuvas, mas, nem o tempo ajudou e a obra parou.

Como a região enfrenta uma seca que já entrou para 4 anos consecutivos somente uma meia parede foi completada com o barro. As demais foram revestidas somente de varas de madeira da região e de restos de sacos plásticos do tipo “estopa” recolhidos do lixo de uma indústria de gesso da cidade e que ameniza a entrada de sol durante o dia e dos ventos à noite. O teto também está incompleto. Somente a parte do cômodo destinado ao quarto e parte do que era pra ser uma sala de visitas recebeu telhas comuns. O restante da moradia está a céu aberto. O piso é de chão batido e as portas e janelas simplesmente não existem.

Assim, os animais, domésticos ou não, tem trânsito livre a qualquer hora do dia ou da noite, pela casa, junto aos moradores tornando ainda mais tensa e perigosa a vida dessa família devido a proximidade com a fauna silvestre da Floresta Nacional do Araripe aonde vivem espécies carnívoras como onças e venenosas como cobras, obrigando os adultos e, principalmente, as crianças a conviver com esse perigo porque lhes falta um abrigo, no mínimo, seguro.

E não bastasse a precariedade da casa de taipa, ela não tem banheiro, nem fossa séptica e, por isso, as necessidades fisiológicas de todos os membros da família são feitas no mato sem nenhuma higiene, nem privacidade.

Para piorar a situação até mesmo água, que é o bem mais precioso para o ser humano, falta à família. Não existe rede de distribuição de água, e nem mesmo, há uma cisterna para acumular a água da chuva ou de carro pipa.

Em geral a construção de uma casa de taipa não segue critérios técnicos, nem normas de segurança adequada para ser erguida, e por isso é insegura.

As casas de taipa têm paredes de barro, sustentadas por estacas e não oferecem condições adequadas de moradia, segundo arquitetos. Além disso, de acordo com a Fundação Nacional de Saúde – FUNASA, as rachaduras e brechas deixadas pelas camadas de barro usado na construção dessas casas podem servir de abrigo para o barbeiro, inseto causador da doença de chagas, causando também um problema de saúde pública.

A família ‘dos anjos’ faz parte dos mais de 10 milhões de brasileiros que vivem na linha da extrema pobreza segundo os dados divulgados no fim do ano passado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, PNAD 2013).

O levantamento do IPEA define diferentes valores para a linha de extrema pobreza em 24 regiões do país. Cada área tem uma faixa mínima de renda abaixo da qual se caracteriza situação de miséria. Os cálculos do IPEA levam em conta os parâmetros do Programa Brasil Sem Miséria, do governo federal que estabelece em R$ 77 per capita por mês a renda que define se uma pessoa está na linha de extrema pobreza.

Segundo o pastor Márcio Muniz da igreja Ação Evangélica – ACEV, a renda familiar dos ‘dos anjos’ é de R$ 120 por mês oriundos do Programa Bolsa Família.

Seguindo os mesmos parâmetros adotados pelo IPEA para definir o limite da extrema pobreza, a renda per capita por mês dessa família é de R$ 30. Isto os coloca na desconfortável situação social de miseráveis, vivendo abaixo da linha da pobreza, ou para usar um termo menos agressivo do ponto de vista humano, eles são extremamente pobres. 

Com somente R$ 30 mensais para a sobrevivência de cada um dos membros da sua família os “dos anjos” estão aquém do que determina os critérios da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) em uma estimativa do valor de uma cesta de alimentos com o mínimo de calorias necessárias para suprir adequadamente uma pessoa que é de no mínimo R$ 70 segundo as duas organizações com dados de 2014.

Sensibilizados com essa situação de risco em que vive a família da senhora “dos Anjos” a igreja ACEV através do projeto Vem Viver de Nova Olinda, lançaram uma campanha para a construção de uma casa de alvenaria para a família e a arrecadação de donativos como bens e utensílios móveis, além, de conseguir viabilizar para a futura casa a energia elétrica, cisterna para guardar água e uma estrada de acesso.

A Rádio Nova Olinda FM também resolveu ajudar por meio do programa Grande Jornal FM Notícia e está promovendo uma campanha para a arrecadação, por meio de doações voluntárias, de material de construção e de mão de obra especializada.

Quem quiser colaborar deve ligar para a emissora nos telefones 88 35461160 e 88 (TIM) 9782 8029 e 88 9300 5161 (CLARO).


Saiba mais

Há duas subdivisões básicas de casas de taipa: as revestidas e as não revestidas. É revestida quando as paredes externas são feitas de barro ou cal com estacas e varas de madeira com revestimento (emboço, reboco, chapisco).

Já a taipa não revestida caracteriza-se quando paredes externas são feitas de barro ou de cal e areia com estacas e varas de madeira sem revestimento (emboço, reboco, chapisco).

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