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quinta-feira, 27 de julho de 2017

Nova Olinda recorda 1 ano da trágica morte de Ronaldo Sampaio

Há um ano Nova Olinda acordava sob o impacto da notícia do desaparecimento do prefeito da cidade, Francisco Ronaldo Sampaio (PDT). De acordo com as primeiras informações divulgadas com exclusividade pelo então grupo de notícias Plantão Político o prefeito havia se embreado no matagal da Floresta Nacional do Araripe, na comunidade Sítio Zabelê, divas de Nova Olinda e Crato. Depois disso não tinha mais sido visto, a única testemunha do fato, até então, era a chefe do gabinete da prefeitura Maria da Conceição Sampaio (Lalá) que se encontrava no local e pediu o apoio da polícia militar e do corpo de bombeiros e de amigos para tentar localizar o prefeito.

No dia do fato o policial militar Antônio Marcelo Alves disse ao portal de notícias G1 na internet que "Ele estava em um carro numa estrada com a secretária, parou o carro, disse à secretária que iria ao matagal e não retornou mais...", a notícia atraiu dezenas de pessoas até o local. O corpo de bombeiros militar chegou a utilizar um helicóptero particular de amigos da família nas buscas ao prefeito mas não obteve êxito.

Foi um cidadão entre tantos que faziam as buscas pelo prefeito que encontrou, 5 horas depois, na tarde daquela quarta-feira, 27 de julho de 2016, o corpo de Ronaldo Sampaio pendurado a uma árvore pelo próprio cinto e de acordo com a Polícia Civil, o gestor foi achado enforcado já sem vida.

O laudo pericial que aponta as causas da morte do ex-prefeito não chegou a ser divulgado pela família. Uma das hipóteses, segundo a Polícia Civil, é de que ele tenha cometido suicídio.

O impacto da notícia causou grande repercussão na cidade de Nova Olinda e em todo o meio politico cearense. O corpo de Ronaldo Sampaio foi sepultado, no dia seguinte, no cemitério público da cidade de Antonina do Norte aonde ele morou e foi vereador.

Durante o velório, na prefeitura de Nova Olinda, uma multidão compareceu para se despedir do ex-prefeito, o primeiro a cometer suicídio no exercício do cargo na cidade.

Afastamento e retorno
Ronaldo Sampaio havia sido afastado do cargo de prefeito durante a sessão do dia 20 de junho de 2016 da  Câmara Municipal de Nova Olinda, por decisão absoluta do plenário municipal. Antes, Ronaldo Sampaio já havia sido afastado do cargo por decisão judicial em 10 de maio do mesmo ano por um prazo de 120 dias, por decisão de primeira instancia. O prefeito recorreu da decisão, e em 17 de junho, subsequentes, conseguiu retornar ao cargo  por decisão monocrática da então presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-CE), desembargadora Iracema do Vale.

Outra decisão da justiça favorável ao ex-prefeito foi tomada no  22 de julho (2016), pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que concedeu liminar determinando a suspensão do afastamento de Ronaldo Sampaio e o seu imediato retorno ao cargo.

Mesmo contando com 2 decisões judiais a seu favor, tanto do Tribunal de Justiça no estado quanto da suprema corte federal Ronaldo Sampaio não encontrava mais apoio em Nova Olinda para permanecer no cargo. Ele enfrentava um processo de impeachment  na câmara de vereadores aonde só contava com o apoio de 2 dos nove vereadores da casa, Rita de João (PRP) e Raimundo da Beleza (PROS), os demais prometiam, para o mesmo dia da trágica morte, se reunirem para votar um novo afastamento dele [Ronaldo Sampaio]  do cargo por um requerimento do vereador Beto Jeremias (PMDB).

Na câmara o ex-prefeito era acusado da pratica de crime de responsabilidade por gestão fraudulenta do matadouro público; enriquecimento ilícito; contratação irregular de funcionários públicos.

Ronaldo Sampaio ainda respondia a uma Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), acusado entre outras coisas de contratar a própria namorada como funcionária "fantasma".

Ronaldo Sampaio sempre negou todas as acusações contra ele e alegava que sofria de perseguição política da parte de antigos correligionários com quem ele havia rompido as relações políticas.

O ex-prefeito já não tinha apoio na sua própria base, partidos como o PSDB já não figuravam na sua base de apoio para a reeleição pretendida, mas mesmo com a situação política fragilizada Ronaldo Sampaio ao receber a ordem do ministro do STF para voltar ao cargo demonstrava nos últimos dias de sua morte, entusiasmo para remontar a estrutura de seu governo, renomeando o secretariado da sua confiança e fazendo articulações partidárias para a sua reeleição. Na mesma monta, pessoas próximas ao ex-prefeito contam que nos últimos momentos de sua morte o Ronaldo Sampaio se mostrava emocionalmente perturbado com a pressão política pela qual passava.

Breve histórico biográfico

FRANCISCO RONALDO SAMPAIO se elegeu vereador pelo PMDB nas eleições de 2008 em Nova Olinda. Em 2010 foi eleito presidente da Câmara Municipal de Nova Olinda. Em 2012 foi fundador e o primeiro presidente do Partido Social Democrata (PSD) no município, sigla recém criada no país, pelo qual, foi eleito prefeito de Nova Olinda com 4.987 votos no pleito do dia 7 de outubro do mesmo ano pela coligação com os partidos PP, PSDB, DEM, PRP e PTB. Em 2016 se filiou ao partido Democrático Trabalhista (PDT). Teve um longo relacionamento com Antônia Laileide Carneiro de Souza, 43 anos. Dessa relação teve quatro filhas e dois netos. Da relação com Viviane Chaves dos Santos teve uma filha que nasceu após a sua morte.  Sua trajetória política teve início em 2004 com um mandato de vereador na cidade de Antonina do Norte.  

Missa de 1 ano

A família, segundo um convite divulgado em rede social, manda celebrar uma missa por 1 ano da morte do ex-prefeito, hoje  às 18 horas na Igreja Matriz de São Sebastião em Nova Olinda.   

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