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sábado, 5 de agosto de 2017

[Editorial] Insegurança faz os novo-olindenses viverem com medo e presos em suas próprias casas


Assaltos, homicídios, furtos, perseguições policiais, aonde? Era a pergunta que se fazia há não muito tempo, mas hoje ao ouvir e ver essas manchetes dos cadernos policiais o novo-olindense já não tem mais dúvidas de que o fato se deu aqui. Justamente na nossa ‘pequena’ Nova Olinda.

A cidade que há 10 anos ostenta o título de Destino Indutor do Turismo Nacional ao lado de outras 64 cidades brasileiras - a única do interior do estado a entrar para esse seleto grupo de destinos turísticos – com a marca do desenvolvimento regional através do Mtur entre as capitais e não capitais e que faz o seu povo tanto se orgulhar de ser considerada um farol para a cadeia turística nacional, não se orgulha de outro título, também nacional.

Desde 2012 a cidade de Nova Olinda entrou para as estatísticas como uma das 500 cidades mais perigosas do Brasil segundo o Mapa da Violência 2016 – Homicídios por Armas de Fogo no Brasil, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) com base no Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde. 

Esse título horroroso, infelizmente, demonstra uma triste realidade que o povo de Nova Olinda sente na pele todos os dias que é a sensação de insegurança. Nem mesmo dentro de casa, nos sentimos mais seguros.

O aumento da violência vem acompanhada do crescimento da criminalidade. 

Se nos primeiros dados estatísticos, que fizeram a nossa cidade entrar para o rol da fama das cidades mais violentas do país, imperavam os números de mortes violentas no trânsito como os dados divulgados em 2007, hoje, infelizmente os crimes de morte por arma de fogo foram determinantes para a cidade entrar para esse grupo nada seleto de municípios com alta taxa de mortes violentas constatadas no relatório divulgado no ano passado com dados referentes aos homicídios ocorridos entre 2012 e 2014. 

O levantamento mostra Nova Olinda com índice de 41,1 % de mortes por grupo de 100 mil habitantes com média de 6 assassinatos por ano. Quanto ao sexo das vítimas prevalece o masculino. Já em relação a idade a maioria das vítimas estão na faixa etária entre 18 e 29 anos.

Somente este ano a Polícia Militar (PM) já registrou três mortes por arma de fogo no município, todas,  com características de execução por prática de pistolagem. 
  
A cada ano que passa a cidade fica mais insegura. E insegurança é sinônimo de intranquilidade e medo. 

A porta sempre aberta e as cadeiras dispostas nas calçadas para trocar conversas entre a família e vizinhos vem, aos poucos e constantemente, sendo substituídas por grades nas portas, cercas elétricas e bate papo, preferencialmente, em redes sócias. Até os encontros na praças não tem mais ocorrido com a mesma frequência.

Essa mudança de postura nas pessoas é vista como uma atitude de auto-defesa diante da ineficiência do estado frente ao combate à criminalidade. 

De acordo com o comando do 2º Batalhão da PM com sede em Juazeiro do Norte os crimes que mais tem aumentado no município são as práticas de roubos e assaltos que desafiam as forças de segurança e respondem pela maior sensação de insegurança e de medo nas pessoas. 

Diante desse cenário de caos, aonde vamos parar?

Ontem mesmo, por volta das 20 horas, um jovem saiu de casa para comprar uma bebida energética para levar para casa e, na saída do estabelecimento comercial, que fica no centro da cidade [próximo a igreja matriz], foi alcançado por dois elementos armados, numa motocicleta, e anunciaram o assalto. O jovem, com a idade parecida com a dos próprios bandidos - segundo o relato das características [ entre 19 e 24 anos] - agiu rapidamente se aproveitando da potência do seu carro e conseguiu fugir da ação criminosa. 

No entanto, nesse ato mais impensado do que o recomendado o garoto arriscou a própria vida para defender o seu patrimônio, que era o veículo em que ele estava. Imediatamente a polícia local foi informada do fato, mas como tem se tornado repetitivo, depois de várias diligencia os policiais não obtiveram o êxito em identificar e prender os assaltantes.

Pelo menos, nesse caso, os bandidos também não obtiveram êxito no roubo.

Melhor sorte não teve o proprietário de um posto de lavagem de veículos localizado no centro da cidade. De acordo com o relatório de ocorrência da Unidade Policial local, também ontem, por volta do meio dia, dois elementos montados em uma motocicleta, chegaram ao “lava jato” armados de revólver e anunciaram “um assalto”. Na ação, os bandidos levaram cerca de 150 reais do estabelecimento comercial. Em seguida, fugiram seguindo um rumo ignorado.

Não por falha, este texto jornalístico não informou o local das ocorrências citadas à cima. E sim, como eu já disse no início deste artigo, foi-se o tempo em que ao ouvir ou ler notícias dessa categoria de assaltos, roubos, tentativas, homicídios, drogas, o interlocutor perguntava: aonde foi isto? Em Nova Olinda, respondo.

A cidade que há vinte anos experimenta um franco crescimento econômico com média estratosférica [ para números brasileiros] de 6 e meio por cento, viu nesse mesmo período acontecer também o aumento dos casos de violência na contramão do vigor econômico através da expansão imobiliária e do fortalecimento dos setores do comércio de serviços.


Se perder a peculiaridade de cidade pacata e ordeira como exprime no seu hino municipal “...Devota e bela, formosa e gentil” é um preço a pagar pelo “progresso que ostentas serena” também retirado do hino da cidade, então, os novo-olindenses estão pagando um preço muito caro por esse chamado desenvolvimento que atraiu ao longo das últimas duas décadas uma população imigrante que promoveu um crescimento demográfico vertiginoso no período de 1999 saindo de 11 mil e 267 habitantes para os atuais 15 mil e 48 habitantes segundo dados do DATA SUS – Ministério da Saúde, sendo a área urbana a grande concentradora desse povoamento, e que é um dos fatores apontados por populares para o incremento da violência no município no mesmo período.


Mas a chamada “sensação de insegurança” que está por toda a parte, no campo e na cidade, com as desculpas de que isso está acontecendo por todo o país, em que pese a verdade da frase, não nos consola e, principalmente, não resolve os problemas.

fotos: Ranilson Silva e de redes sociais

Um comentário:

  1. O crescimento demográfico da cidade em que nasci, se deu à revelia de planejamentos e políticas públicas para educação e saúde. O capitalismo selvagem anda de mãos dadas com a violência aí, aqui e acolá o resultado é sempre desastroso. 💔

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