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quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

[Altaneira] Moradores da zona rural se declaram ilhados após as chuvas devido a construção da rodovia CE 388


Uma obra, que antes era desejada por toda a população altaneirense e do município de Assaré, agora traz transtornos e problemas de falta de condições de mobilidade para uma parcela dessa mesma população. Trata-se da pavimentação do trecho da Rodovia Estadual do Ceará, número 388, com 20,16 km de extensão ligando as sedes das cidades Altaneira /Assaré, na microrregião da chapada do Araripe, Ceará. Os moradores das localidades rurais de Andreza, Munduri, Taboca, Taboquinha, estão sem poder sair de casa e culpa a empresa, Teixeira Construções, responsável pela execução da obra.





No vídeo [à cima] acompanhado de fotos enviado a redação do nosso blog um morador denuncia que, ao abrir as rotas para a passagem da estrada a empreiteira não faz a abertura dos acessos às residências e propriedades dos moradores dificultando a chegada e a saída. 

O senhor Iram, morador do sítio Taboca, zona rural de Altaneira, mostra a situação pela qual estão passando cerce de 20 famílias. O morador demonstra revolta e insatisfação com a empresa e diz que apesar do proprietário haver prometido construir a estrada em 6 meses após o inicio dos trabalhos, 9 meses após “nenhum metro de asfalto foi construído” relata. Os moradores temem que a situação possa piorar ainda mais com a aproximação da quadra chuvosa [janeiro e fevereiro]. 



O único transporte automotor capaz de ser usado em algumas situações é a motocicleta, mesmo assim quem se arrisca encontra dificuldade como mostra a foto ao lado. A situação piorou ainda mais com as chegadas das chuvas recentes que caíram na região. Até mesmo o leito da futura rodovia que está em obras não oferece condições de tráfego de veículos. Os moradores se dizem ilhados, sem o acesso as cidades vizinhas. 

Histórico 

Contemplada pelo Programa de Logística e Estradas do Ceará através do projeto “Ceará de Ponta a Ponta” do governo do estado os moradores de Altaneira viveram dias de euforia no início do ano quando o governador Camilo Santana (PT) juntamente com os prefeitos de Altaneira, Dariomar Soares (PT) e Evanderto Almeida (PSD), assinaram a ordem de serviço para o inicio dos serviços de pavimentação, revestimento asfáltico, obras d’artes correntes, drenagem, sinalizações vertical e horizontal e proteção ambiental, da rodovia que liga as duas cidades no dia 5 de março deste ano. 

“É uma obra que vai começar de imediato devido a importância para vocês” garantiu o governador durante a solenidade realizada em praça pública no município de Assaré para comemorar o aniversário de nascimento do poeta Patativa do Assaré. 

Mas o clima festivo acabou por ali mesmo. Desde o inicio que essa obra vem causando problemas aos moradores de Altaneira. A começar pelo atraso de início das obras. Apesar da força de expressão do governador Camilo Santana naquela solenidade e do compromisso do dono da empreiteira assumido publicamente na frente de 5 mil pessoas em praça pública de terminar a obra em tempos recordes, não foi o que aconteceu. 

Naquela ocasião o engenheiro, Antônio Luiz, representando a Teixeira Construções garantiu ao governador e a todos os presentes que a estrada ficaria pronta em 180 dias, metade do prazo oficial dado pelo governo para a conclusão das obras que é de 360 dias. 

No dia seguinte, como mostra o blog de Altaneira em edição do dia 9 de abril de 2018 o prefeito Dariomar Soares apresentava com festa uma máquina que daria inicio a obra, veja:

“Na tarde do dia seguinte (06/03) chegou ao local uma máquina que foi festejada pelos altaneirense e inclusive o prefeito municipal, Dariomar Rodrigues (PT), lançou um vídeo na rede social Facebook registrando o momento”. [extraído do blog de Altaneira
Foto: Blog Altaneira
Em mais de um mês de espera pelo início dos serviços os altaneirenses já demonstravam preocupação em não ver o sonho da tão almejada rodovia em construção e o desalento pela falta dos empregos prometidos. 

E  outros mais 2 meses de espera e reclamação se passaram até que no dia 28 de junho deste ano o prefeito Dariomar Soares usou o site da prefeitura para manifestar que , em fim, a obra iria iniciar tendo sido conseguida a licença ambiental que é uma condição para o inicio dos trabalhos e mesmo assim só foi assinada pelo Superintendente da SEMACE passados 4 meses da autorização dada, no dia 28 de junho de 2018, o que levou a obra a começar efetivamente só em julho seguinte. 

Obras marcadas por problemas

De lá para cá as intervenções, no trecho Altaneira /Assaré, é marcado por lentidão, paralisações sem explicações e muitas reclamações dos usuários da estrada, especialmente, dos moradores próximos dos canteiros de obras e dos próprios trabalhadores. 

Recentemente um grupo de funcionários denunciaram ao blog ranilsonsilva que estavam com os seus pagamentos de salários em atraso havia três meses, além disso, reclamavam também da falta de equipamentos de segurança (RPI'S) e dos registro em carteira das suas atividades. 

Após a reportagem do blog ranilsonsilva e da Rádio FM Nova Olinda comparecerem ao local para averiguar as denúncias a empresa mandou um representante até o canteiro de obras para regularizar os pagamentos. Até hoje a situação dos EPI'S e da falta do registro dos trabalhadores não foi solucionada. 

Voltando a situação dos moradores ilhados 

O blog ranilsonsilva levou a questão para o gerente regional do DER (Departamento Estadual de Rodovias) do estado do Ceará, Luiz Salviano. O gerente disse que vai tomar todas as providencias para solucionar os problemas apontados pelos moradores dos sítios citados pela reportagem. 

Por coincidência, no momento do nosso contato com o gerente regional o empreiteiro da obra, Antonio Luiz, se encontrava em reunião no DER [Regional em Crato] e imediatamente se dispôs ao gerente regional a adotar medidas no sentido de buscar soluções. 

Luiz Salviano lembrou que dificilmente uma obra desse porte [se referindo aos 20,16 km de extensão] 

“não é feita sem causar transtornos as pessoas, no entanto, a nossa missão é causar o tanto menos quanto possível” disse.

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