Arquivo do blog

sexta-feira, 5 de abril de 2019

[Crônica] Tragédia novo-olindense: 2016, o ano que não acabou


A cidade de Nova Olinda (560 km de Fortaleza) vive um clima de instabilidade política que começou no ano de 2016. Por último evento desta história, o atual prefeito Afonso Domingos Sampaio (PSD) conseguiu escapar do afastamento temporário do cargo por força de uma liminar judicial que havia sido determinado pela câmara de vereadores em 14 de fevereiro deste ano (2019). 

O caso se assemelha com o vivido por o então prefeito Francisco Ronaldo Sampaio (PSD) naquele ano eleitoral de 2016, quando o mesmo foi afastado do cargo por decisão da justiça e enfrentou um processo de cassação na câmara municipal culminando também com o seu afastamento cautelar. 

Não é mera coincidência 1 

Assim como Ronaldo Sampaio o Afonso Sampaio também é acusado de ter cometido improbidade administrativa. De acordo com os processos na justiça e no poder legislativo, os gestores obtiveram, de forma ilícita, benefícios para si próprios e para os seus parentes. Servidores públicos são acusados de agir em conluio e algumas condenações recentes já saíram em sede de primeira instância judicial. Os dois prefeitos são primos. 

Tragédia

Nas eleições de 2012, Ronaldo Sampaio foi eleito prefeito para suceder o primo no comando do município, mas não conseguiu terminar seu mandato por conta de suspeitas de irregularidades na sua gestão. Deixou o cargo de forma trágica, após ser encontrado morto por enforcamento em uma árvore na Floresta Nacional do Araripe. 

Caso Ronaldo 

O achado do cadáver do prefeito naquela tarde perene de 27 de julho de 2016 foi antecedido de episódios que envolveram disputas políticas internas as quais partiram não da oposição e sim de antigos aliados. 

Lutando contra tudo e contra todos, Ronaldo Sampaio recorreu da decisão do seu afastamento ao Tribunal de Justiça do Estado do Ceará e conseguiu uma medida liminar favorável para retornar ao cargo no dia 17 de junho daquele ano expedida pela desembargadora Maria Iracema do Vale. No entanto, a vitória parcial na justiça esbarrou na falta de apoio político junto à câmara municipal. 

No dia 20 de junho o prefeito Ronaldo Sampaio sofreu o segundo afastamento do cargo desta vez determinado pelos vereadores. Sua base o tinha abandonado e a oposição não lhe ofereceu apoio. Mais uma vez o prefeito trilhou o caminho dos tribunais em busca da defesa do seu mandato. 

Em 22 de julho, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liminar determinando a suspensão do afastamento de Ronaldo Sampaio. No dia 25 de julho, às vésperas das convenções partidárias para o pleito de 2016 ele tentava juntar os pedaços do seu afastamento para remontar o seu governo e uma nova base eleitoral que lhe permitisse não somente concluir o mandato, mas disputar a sua reeleição. 

"Ronaldo não conseguiu nem uma coisa e nem outra" 

A tão sonhada e a tão “cara” liminar do STF que lhe trouxe ao cargo pela segunda vez não lhe trouxe a paz, a tranquilidade pessoal e familiar e tão pouco o apoio político e a moralidade perdida diante dos eventos processuais no legislativo e na justiça. 

"Sua morte trágica não foi o fim da tragédia novo-olindense" 

Caso Afonso 

Com Afonso Sampaio, novamente a ação vem da base aliada dos seus próprios vereadores. Assim como o seu antecessor, ele é alvo de uma comissão processante que apura supostos crimes de infrações-políticos administrativas. Sem apoio político na câmara municipal Afonso Sampaio se utiliza da via judicial para manter-se no poder assim como fez o seu primo. E assim como tal se aproveita das brechas da lei para tentar a sua ressurreição política. 

As perdas políticas e jurídicas do afastamento

O seu afastamento cautelar custou muito caro para ele tanto no âmbito  político quanto jurídico. Ainda é cedo par dizer o qual se tornou mais penoso ao prefeito. 

Na seara política  Afonso Sampaio viu ruir em 30 dias uma base aliada construída ao longo de anos. Velhos e recentes aliados se uniram para a construção de um novo grupo político em sua oposição. Nesse ínterim vários escândalos de desvios e suspeitas de corrupção vieram à tona concomitante a todo o tipo de desordem administrativa.        

No campo jurídico Afonso que já amarga diversas derrotas como o bloqueio dos seus bens, o fastamento do seu procurador jurídico e uma Ação Civil proposta pelo Ministério Público Estadual e que pode levar a cassação do seu mandato ainda colecionou vários  outros agravantes como a operação "Gasolina Podre" e outras denúncias que surgiram posteriormente como o caso de empresas laranjas para o favorecimento de parentes.     

O diferencial

O capital político e jurídico de Afonso e de Ronaldo são os mesmos com uma leve densidade para o descrédito do prefeito atual.  O que os diferencia são os seus atos. 

Enquanto Ronaldo buscou até a última hora remontar um governo baseado na articulação e no diálogo o Afonso atua com o abuso do poder político tentando ao custo da máquina pública subordinar os interesses públicos.

Mandato por Liminar

O prefeito se mantém no cargo agarrado a uma liminar que não tem data de validade e nem garantia de sustentação no poder. Ao passo dos dias o seu efeito colateral atinge graus de desconfiança e descrédito como num drama cinematográfico cheio de revira-voltas.  
     

Não é mera coincidência 2 

O juiz que determinou o afastamento de Ronaldo em 2016 é o mesmo que esta para julgar  o caso atual;o promotor de justiça ainda é o mesmo que atuou no caso Ronaldo Sampaio. Na câmara, em que pese a renovação do plenário trazida pelas eleições de 2012 um terço dos atuais vereadores votaram à época pelo afastamento de Ronaldo. Até o vereador presidente da câmara ainda é o mesmo de 2016.  

O que muda ou não muda?

Juntando a experiência com a renovação política parece que trocaram seis por meia dúzia no tabuleiro desse jogo aonde os juízes são os mesmos, as regras são as mesmas e o time pouco mudou.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe o seu comentário, a sua opinião